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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Me mata



Olá lunáticos, trago um poema, um poema que começa no abdómen, sobe pelo pescoço e sai pelo rosto. Espero que gostem. Pele escura e de olhos verdes a singularidade é cativante.

Me matas

Olhos verdes, pele cor de carvão
O teu sorriso me mata
O teu andar me desgraça
Falar-me ias?
O teu sorriso me mata
Se eu não respondesse sem vergonha
Já que tu também não a tens
Somos vadios, sujos da rua,
E o sorriso é a nossa arma
Atingimos quantos queremos, como eles tremem
E estou morta
Morta à tua porta, assim sem razão
Espera aí, deixei cair algo ao chão
Pego-lhe com cuidado
E levanto de serena
A tez é breu, pez, alcatrão, negra e é proibida
Mas o teu sorriso, esse vai de mão em mão
Quer dizer de rosto em rosto.
Nasce no abdómen, cresce pelo pescoço e aí,
Chega ao rosto.
E os olhos verdes, viajados, cartas escritas e rescritas
Viajam pelo meu corpo
Ai e o sorriso!
Esse é aberto, ao mundo, à gente.
Sorriso de contente, de sereno, do Buda
Esse sorriso já to roubei 
Fui eu, 
é simétrico ao teu, o meu
E é por isso que estou morta, não importa!
Estou à tua porta
Espera aí, deixei cair ao chão
O meu coração


Gostaram? Já viram alguém com um sorriso destes ?
beijinhos
A janela para a lua está fechada.

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